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Agit-Pop & Rock Popero

          No passado dia 15 de Outubro, dois acontecimentos culturais tiveram lugar na nossa cidade, tendo por base a OHs21 – Associação Cultural e Multimédia de Oliveira do Hospital: a comemoração do seu sétimo aniversário e a inauguração da nova sede, situada agora nas antigas instalações da prisão oliveirense.

         Depois de um jantar farto e do cantar de parabéns à OHs21, a malta rumou até à nova sede para presenciar e fazer parte da festa que aí tinha lugar.

          O ambiente era um misto de festa e emoção, por agora a associação oliveirense ter um espaço digno para a sua dimensão e por haver a partir de agora mais um lugar de referência (assim se espera) no que a actividades de carácter alternativo diz respeito (música, cinema, vídeo, instalação, exposições, etc.).

           O evento contou com vários artistas locais, como é apanágio da OHs21, que assim tiveram mais uma oportunidade de apresentar os seus dotes artísticos, sempre com a música como pano de fundo, mas também incorporando elementos multimédia.

          Tudo começou por volta das 23:30, depois do DJ Rocky Balboa ter aberto as hostes para a revolução que se adivinhava, ao som dos britânicos Kasabian.

          Logo depois entrou em acção o projecto d -.- b, com a sua mistura explosiva de música e imagem, tudo manipulado em tempo real, coadjuvado por dois laptops e um controlador midi. Som denso, batidas minimais e imagens em ebulição, são o prato forte deste projecto multimédia. A sede, neste momento, ainda estava a meio gás. Foi pena que poucos tivessem assistido ao segundo acto de d -.- b, por estas paragens.

         Logo depois entraram em cena As 4 Sombras, projecto que revisitou o clássico dos Bauhaus, “The Three Shadows”, presente no álbum “The Sky’s Gone Out” (1982, A&M).

          A actuação deste projecto foi feito sob fundo de luz negra, ao bom estilo gótico, tendo duas guitarras eléctricas, timbalão e um baixo ocasional como companhia. Pedia-se mais, tendo em conta os músicos envolvidos.

          Os norte-americanos Sonic Youth já se tinham dado a ouvir nesta festa de aniversário, mas foi com a Amiga 500 que a homenagem tomou novas proporções…sónicas. O “medley” inicial deu o sinal inequívoco do tamanho da homenagem, oferecendo aos presentes um longo tema feito de colagens de vários temas da banda americana. Como se isto não bastasse, a actuação d’Amiga 500 ainda tocou “Youth Against Fascism”, do álbum “Dirty” (1992, DGC).

          “Cherry Chapstick” (dedicada ao presidente da OHs21, Artur Abreu) dos também norte-americanos Yo La Tengo, incluída do álbum “And Them Nothing Turned Itself Inside-Out” (2000, Matador), foi outro dos temas revisitados por esta banda. Para final de concerto, continuando em jeito de homenagem, claro está, ficaram, “Transmission” (7’’, 1979, Factory) dos manchesterianos Joy Division e ainda “Never Understand” (“Psychocandy”, 1985, Blanco Y Negro/Warner Bros.) dos Jesus And Mary Chain, ambos com vocalização de Luís Antero.

          Para quando o projecto de originais? Estamos à espera.

          O quarto projecto musical a entrar em cena na sétima festa de aniversário da OHs21 dá pelo nome de Out Level, combinando improvisação e experimentalismo, com a colaboração de Hélder Tromp-Hatt, como já vai sendo habitual. “The Free-Jazz-Rock-Experience”, foi o tema interpretado por este projecto, na sua terceira actuação por estes lados.

          Depois do chinfrim dos Out Level, o palco da nova sede ainda teve tempo para acarinhar um duo acústico com canções pintadas a negro, cujo nome se perdeu na memória da noite.

          Para o fim ficou reservada uma performance de “agit-pop” por Frédi Fláche & The Pretty Faces From Hell.

          Pegando no legado de Jorge Ferraz nos Santa Maria, Gasolina Em Teu Ventre, o projecto traçou uma performance em volta do tema “Optical Sunday Without William Burroughs”, presente no Máxi Single “Santa Maria, Gasolina Em Teu Ventre”, recentemente editado em CD, juntamente com o álbum “Free Terminator/Falcão Solitário Sem Ser Distorção” (2005, ZoundsRecords), culminando numa homenagem ao movimento Black Panthers Party (“Este é o poder negro”). 

          Este projecto ainda teve tempo para apresentar um tema inédito, tendo por base o poema “Me, Myself, My Ego And My Cellular Phone – A Revolutionary Prelude & Escape” de Frédi Fláche, sob fundo electrónico movido a cores de Bristol.

          E assim se fez mais uma festa da OHs21 onde, mais uma vez, tivemos a oportunidade de assistir a novos e estimulantes projectos musicais deste concelho. Espero que estejam por cá daqui a uns tempos. Estes ou outros.

          Acendam as luzes/Apaguem as luzes & Dance. Venham mais 5.
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