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Façam as árvores dançar (rock & electrónica em Oliveira do
Hospital)
“Sons Na Cidade” (1993) e “Sons Na
Cidade II” (1995) são, até agora, as únicas memórias de mostras
de música moderna da cidade de Oliveira do Hospital. Memórias
bem vivas ainda na vida de todos aqueles que fizeram estes
eventos e que com eles abanaram a vida cultural desta cidade,
pouco dada, até a altura, e pelo que tenho conhecimento (os +
velhos poderão confirmar ou desmentir) a manifestações culturais
de carácter alternativo. As instalações da antiga Casa do Povo
encheram-se de público ávido por assistir a coisas diferentes,
ainda os telemóveis e a Internet eram uma miragem, e o contacto
entre todos era feito olhos nos olhos, sempre com o pulsar bem
forte do coração e um sentido de amizade apuradíssimo. Ainda
hoje, contra todas as adversidades, há quem teime em manter
estes e outros sentimentos. Ainda há bandas na cidade que
convidam outras para tocar no mesmo palco, mas o que
maioritariamente acontece é o oposto. As razões, penso eu,
devem-se a objectivos meramente artísticos…
Uma certeza, porém, é que o rock em
Oliveira do Hospital nunca morreu. Passou, isso sim, como
aconteceu um pouco por esse mundo fora, e como a história
ciclicamente nos encarrega de avisar, por um hiato criativo de
alguns anos. Nada de grave numa cidade que sempre lutou contra o
tédio… Enquanto houver vontade, a coisa vai.
E nada melhor que a primeira mostra
de música moderna organizada pela Câmara Municipal – “I Mostra
de Música Moderna de Oliveira do Hospital” – para se verificar
que, de facto, existe muito valor por estes lados da Beira
Serra, não ficando nada atrás do panorama musical de outras
zonas do país. Só o nome deste evento é um pouco infeliz.
Existem hoje 10 (!) projectos
musicais na cidade e 9 deles vão estar presentes nesta mostra,
que se realizará no sábado, 8 de Julho, no – apetece-me chamá-lo
– Palco da Cidade, situado no Parque do Mandanelho.
Vynill,
Cubo, Stereo Ego, Belo Chasso,
Ó Telo, d-.-b, Klone,
Out Level, Men On Pause e Kalyan (exactamente por
esta ordem) são as
bandas presentes neste evento. Neste
evento musical de carácter alternativo, a Pop, o Rock e a
Electrónica são as correntes estéticas que + se farão ouvir.
Cada banda vai ter 20 minutos para
mostrar o que vale, muito embora, em abono da verdade, a maior
parte delas já seja conhecida da maior parte do público que se
interessa por estas coisas. Há já muitos anos que a malta se
divulga, levando sempre consigo o nome da cidade. Até em rádios
locais de concelhos vizinhos, como Arganil, onde existe um
programa que divulga novos talentos (com entrevistas, temas
retirados de maquetas, CD-R’s ou EP’s), quase todos de Oliveira
do Hospital.
Posto isto, só falta mesmo que o
público se desloque em massa ao Palco da Cidade para assistir a
este evento. O cenário é bucólico, o espaço é dotado de todas as
condições técnicas, a logística está bem montada… portanto, tudo
pronto para uma noite que se avizinha positiva.
O único voto que faço é para que
esta não seja só a “primeira” mostra de música moderna da
cidade. Que venham outras, de preferência com outro nome.
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